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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

ENTREVISTA COM O CAMPEÃO PETROLINENSE FÁBIO PIRES

                                 FÁBIO PIRES X LUIZ EDUARDO

ENTREVISTA COM O CAMPEÃO PETROLINENSE FÁBIO PIRES DOS SANTOS

POR: EMÍDIO JOSÉ ALVES DE SANTANA – PROFESSOR DE XADREZ


Ele está numa fase extraordinária na sua caminhada enxadrística e já começa a sonhar com uma titulação de Mestre FIDE no futuro. Esse ano ele ganhou 6 torneios de 9 disputados. É o líder do rating rápido da Associação Sanfranciscana de Xadrez.

Fábio Pires dos Santos, o Campeão Petrolinense 2015, conseguiu esse feito inédito pela quinta vez e com a pontuação recebida chegou a faixa de 2100 no ranking da FIDE. Em breve teremos o primeiro CM Candidato a Mestre em Petrolina. No Aberto do Brasil 2015 em Petrolina ele ficou em 3º Lugar, à frente de enxadristas de destaques no cenário nordestino. Possui um jogo posicional e um nível técnico bem apurado na Arte de Caissa dominando as três fases do jogo com grande desenvoltura. E sem sombras de dúvidas o melhor jogador de xadrez em todos os tempos de Petrolina e região.

1- Como e quando começou a sua vida no xadrez?

 - Em outubro de 2003 o prof. Euclides desenvolveu um projeto de xadrez no centro de cultura Ana das Carrancas, o qual ele foi nas escolas convidar os estudantes. Inicialmente eu não queria participar pois o meu interesse era em outros esportes e também não queria acordar cedo para aprender xadrez, mas fui convencido por uma amiga a qual largou o xadrez em duas semanas mas eu acabei me apaixonando por esse esporte e estou aqui até hoje.

2- O que você achou do nível técnico do Campeonato Petrolinense 2015?  

 – No geral eu acho que o torneio foi muito bom, acredito que devido aos resultados anteriores de inicio a minha vantagem era muito grande, talvez se os 10 melhores tivessem jogado teria sido mais difícil, tendo em vista que uns arrancariam pontos uns dos outros assim como foi o Petrolinense de 2014.
Mas no geral existia um equilíbrio de nível muito grande, acho que dos 11 que jogaram 6 jogadores apresentavam um nível técnico muito similar o que proporcionou partidas duras as quais ninguém sabia o resultado e isso é muito bom, pois tanto incentiva aos jogadores querem evoluir como cria o que eu chamaria de “rivais” no melhor sentido da palavra pois só a pressão exercida por um adversário pode te fazer crescer.
Apenas 3 jogadores que a meu ver não estavam preparados para participar desse tipo de torneio e isso diferente do que pensam não é positivo para eles, perder faz parte e te trás incentivo para querer crescer, entretanto você jogar e sempre perder e nem conseguir dar um grande trabalho muitas vezes te faz mal psicologicamente o que pode acarretar o afastamento do esporte ou a perca da vontade de se dedicar.
Ainda sobre o Petrolinense fiquei muito feliz com a volta do Gildemar as grandes disputas e a do Euclides como arbitro. Também fiquei muito feliz com o pódio, onde as 3 gerações do xadrez Petrolinense foram muito bem representadas com Eu em primeiro representando a geração Carranca, Ramyres em segundo representando a geração escolar e Agnaldo em terceiro representando a geração da Associação Sanfranciscana.

3- Como você se sente nesse momento de glória no xadrez de Petrolina?

 – No meu TCC de formatura em Ed. Física na UNIVASF eu apresentei um trabalho sobre a Trajetória Histórica do Xadrez no Vale do São Francisco, onde observei o caminho que o xadrez na região trilhou. De 2004 a 2008 onde o xadrez na região teve seu ápice, com muitos clubes, torneios, grandes eventos, o grande desenvolvimento do xadrez escolar. Depois disso tivemos um momento de declínio no xadrez na região, com a volta de pessoas como Gildemar e Euclides para dar apoio ao prof. Emidio a associação pode novamente voltar a crescer, criando parceria com a Federação Pernambucana, trazendo novamente recursos para a realização de grandes eventos e a ampliação no numero de jogadores FIDE, eu vejo isso como o mesmo caminho que foi iniciado em 2004, como os primeiros passos para novamente o xadrez na região voltar a crescer e brilhar. Acredito que em 2016 o xadrez continuara nessa crescente, com grandes eventos, novas parcerias as quais já vem mostrando bons resultados.

4- Quais foram as suas maiores conquistas no xadrez?

 – As minhas maiores conquistas são divididas em duas partes as esportivas e as sentimentais, a nível esportivo acredito que tenha sido o segundo lugar no aberto do Brasil em juazeiro do norte em 2011 e o terceiro lugar no Aberto do Brasil de Petrolina em 2015, ambos são muito importantes principalmente se analisar que raramente eu participei de um aberto do Brasil e mesmo com poucas participações consegui subir ao pódio duas vezes e tem também o meus 5 títulos Petrolinense. Entretanto pessoalmente a conquista que mais me orgulha é que após 1 ano e meio que havia aprendido a jogar xadrez consegui me tornar primeiro o rating da Associação Sanfranciscana de Xadrez, para mim isso tem muita importância porque mostrou que não é o tempo que se pratica o esporte que vai ditar seu nível e sim sua força de vontade.

5- Na sua concepção o que é xadrez?

 – O xadrez é um estilo de vida, quantas pessoas que entraram no xadrez e descobriram nele uma profissão a qual modificou sua vida, Quantos casais já foram formados no âmbito do xadrez, quantas amizades se criaram. Um enxadrista é um enxadrista em qualquer parte do mundo, se você sair daqui e chegar em qualquer lugar e disser que joga futebol, vôlei, domino, etc. é normal, nada mais, mas se você chegar e disser que joga xadrez, logo outro enxadrista vai te chamar pra jogar, te levara pra conhecer a cidade ou seja somos quase uma sociedade secreta com a diferença que não somos secretos (risos), temos orgulho de dizer que somos enxadristas e isso é que nos leva a continuar no jogo, porque se fosse só por jogar ficaríamos jogando em casa na internet, se fosse só pelo troféu só jogaríamos os torneios que soubéssemos que temos chances de ganhar ou compraríamos um troféu. Jogamos porque somos enxadristas.

6- Contextualize as suas partidas em três palavras chaves.

 – Vejamos... Em três palavras eu acho que posso descrever da seguinte forma.
Técnica – treino buscando a essência do jogo.
Precisão – buscando sempre o melhor lance, sendo que como dizia Lasker nem sempre o melhor lance é o do tabuleiro, às vezes o melhor lance é o que mais incomoda o seu adversário.
Confiança – confiar sempre em si, um adversário não é inferior e nem superior, ele é igual então não devo subestimá-lo e também não devo temê-lo, tenho que sempre confiar em mim, “ninguém sobe na vida com medo da altura”.

7- Vi algumas vezes aquela partida sua contra Roberto Calheiros. Achei espetacular. Faça um comentário sobre a mesma. 

– Realmente aquela partida é a minha melhor partida, infelizmente no site da FIDE ela esta com o final digitado errado mas no meu blog eu coloquei ela correta. Ela até já me rendeu quase uma vitória em outro torneio, um grande jogador do Ceará foi se enfrentar comigo e no quinto lance propôs empate, eu rejeitei, no final acabei ganhando e ele veio falar pra mim que quando viu que ia jogar comigo foi pesquisar minhas partidas e viu aquela contra Calheiros e ficou muito nervoso não queria se arriscar por isso propôs empate tão cedo.
Essa partida é a maior lição de que os conceitos do xadrez podem te guiar em qualquer situação da partida. Eu estava começando a estudar o livro de Nimzovich o famoso meu sistema, quando Calheiros usou uma abertura que eu não conhecia a qual começa atacando pelas laterais eu me agarrei no conceito de Nimzovich que dizia “contra um ataque nas alas se realiza um contra-ataque no centro” e assim fiz, até que o ataque na ala acabou morrendo por falta do apoio no centro, depois quando ele atacou minha torre perdendo tempo, voltei aos conceitos de domínio de centro e desenvolvimento, o que me fez sacrificar a torre, o resto por mais que possa surpreender por ter sido tão longo foi tudo calculado (um dos cálculos mais longos que já fiz) eu tinha certeza que um cálculo tão longo devia ter algum erro, mas quando joguei a partida pra analisar no programa me surpreendi porque não havia erros.

8- Como você desenvolve os seus treinos?

 – Atualmente não ando tendo tempo para manter um ritmo de treino, mas geralmente o meu treinamento sempre foi periodizado, não adianta querer treinar só na véspera dos torneios porque isso não terá resultado e como eu raramente tenho com quem jogar o treinamento se torna ainda mais fundamental.
Eu sempre procurei dividir meu treino em desenvolvimento da intuição posicional, cálculo de variantes, resposta de problemas, jogo posicional e conceitos de jogo. Sendo que a única coisa que eu deixo para treinar perto do torneio é as variantes de abertura, dependendo da importância do torneio vejo quem são os principais adversários e pesquiso qual variante vai causar maior problema para o estilo do meu adversário.

9- Você tem objetivos traçados para o seu futuro no xadrez?

– Tenho grandes planos futuros, quando terminar meus estudos pretendo viajar e jogar mais torneios podendo assim lutar para conseguir o titulo que para mim seria a concretização de uma carreira tão gloriosa que seria o titulo de Mestre Fide. Outro plano que tenho traçado seria um projeto para o desenvolvimento do xadrez aqui, tendo em vista que a minha formação é no âmbito esportivo e buscando uma formação de Mestre e de Doutor, posso conseguir alguns contatos para com isso tentar angariar verba para organizar um aberto do Brasil, com a quantia arrecadada das inscrições poderíamos reverte-la para um circuito de torneios rápidos e relâmpagos assim já teríamos uma boa quantia garantida para cada torneio. Esse projeto que tenho é justamente para incentivar o crescimento e desenvolvimento no xadrez. Tenho outros projetos também já em mente mas se fosse escrever todos daria algumas paginas mas resumindo eu e o xadrez ainda teremos muitos capítulos juntos.

10- Quais os seus planos futurísticos para a sua carreira acadêmica em Educação Física? 

 – Meus planos já estão bem traçados e encaminhados, pois me formei em licenciatura em Ed. Física pela UNIVASF e agora to cursando o Bacharelado em Ed. Física, sendo que ao mesmo tempo estou cursando e meu Mestrado em Ciências da Saúde e já tenho projeto para tentar um Doutorado. Tudo isso visando me tornar um professor universitário. As principais áreas que estou estudando é a da Fisiologia do Exercício e a parte do exercício e a Saúde, claro que o xadrez em diversas universidades já vem sendo abordada como disciplina inclusive na UNIVASF e pretendo também trabalhar nessa área dentro de uma faculdade e realizar pesquisas para cada vez mais demonstrar que psicofisiologicamente o xadrez é um esporte extraordinário.

11- O que você acha do xadrez nas escolas? Exemplifique alguns motivos que justificam o xadrez no âmbito escolar.

 – O xadrez assim como outros esportes proporcionam benefícios para o individuo que o pratique, no caso do xadrez ele proporciona benefícios psicofisiológicos, os quais na infância demonstram ainda mais benefícios tendo em vista que a criança é um organismo em formação. Pesquisas demonstram que a pratica do xadrez proporciona de forma fisiológica a propagação de novas conexões neurais e desenvolvimento da neuroplasticidade, no quesito psicológico a melhoria do raciocínio, memória, concentração, capacidade de controle emocional, entre outros. Com tantos benefícios que o xadrez pode proporcionar deveria ser disponibilizado em todas as escolas, auxiliando no desenvolvimento dos estudantes, pois trás benefícios comprovados e com um custo relativamente baixo, alem de proporcionar para a criança o sentimento de fazer parte de algo, sentimento esse que ele levara para outras partes de sua vida.

12- Levando-se em consideração o marketing, o que você achou da aparição do xadrez na novela “A Regra do Jogo”?

 – Assim como tudo na vida “o marketing é a alma do negocio”, então quanto mais falado, mais mostrado o xadrez for, maior será a adesão a pratica. Assim como quase todas as pessoas que entraram no mundo do xadrez, em algum momento o xadrez foi mostrado e com isso surgiu a curiosidade e da curiosidade veio a pratica e da pratica a paixão pelo jogo, entretanto como o xadrez ainda é pouco difundido em relação a outros esporte, quantos grandes jogadores podem esta ai perdidos no mundo que nunca foram apresentados ao xadrez e por conseqüência deixaram de se tornar grandes enxadristas. Acredito que o marketing proporcionado pela novela e por filmes que abordam o xadrez vem a trazer essa curiosidade sobre esse jogo e com isso teremos novos enxadristas.

13- Defina os seguintes astros do xadrez com uma palavra: Mequinho- Bobby Fischer- Karpov-Kasparov- Aleckine- Capablanca- Magnus Carlsen- Judit Polgar.

– São todos grandes astros do xadrez, os quais de sua forma trouxeram uma contribuição fundamental para o xadrez, claro que cada um com uma característica a qual vou buscar relatar em uma palavra de cada.

Mequinho – Estrela-cadente
Bobby Ficher – Dedicação
Karpov – Sortudo
Kasparov – Gigante
Alekhine – Guerreiro
Capablanca – Maquina
Magnus Carlsen – Talento
Judit Polgar – Fenômeno

14 – Destes nomes qual o mais completo em todos os tempos?

 – Desses nomes o mais completo sem duvida é Bobby Fisher, ele pode não ter sido o maior talento nato do xadrez pois para mim foi Capablanca, mas ele estudou xadrez mais que qualquer um na historia e com seu talento e sua dedicação ele conseguiu se tornar um jogar muito forte, diferente do que muitos pensam ele não era de fazer sacrifícios, na verdade sua capacidade de calcular e criar planos era tão formidável que pensavam que era um sacrifício mas na verdade estava tudo calculado, ele não gostava de entregar material sem ter algo palpável em troca, coisas que só muito treino deram a ele.
Entretanto para mim ele não foi o melhor de todos os tempos, ele é o melhor dessa lista que foi colocada, o melhor de todos os tempos para mim foi Paul Morphy.

15- Em sua opinião, qual os 10 melhores enxadristas de Petrolina e região na atualidade, obedecendo critérios técnicos?

– Pelas minhas observações atuais, mesmo relacionando os que estão afastados do tabuleiro mas que eu sei mais ou menos como esta o nível e os que estão ativos, cheguei a seguinte conclusão dos 10 melhores de Petrolina e região em minha humilde opinião.

1- Fabio Pires (posicional)
2- Gilson Rosa (tático)
3- Ramyres Coelho (tático)
4- Mateus Augusto (tático)
5- Ronielly Coelho (posicional)
6- Emídio Santana (posicional)
7- Anderson Amorim (tático)
8- Pablo Silva (tático)
9- Maciel Carvalho (posicional)
10- Leandro Rosa (posicional)

Cheguei a essa lista após avaliar quais jogadores possuem melhor técnica, os quais mesmo afastados quando retornam sempre apresenta bons resultados.
Também decidi colocar ao lado do nome a impressão que tenho do estilo de jogo de cada um, demonstrando que no xadrez não existe um estilo melhor que o outro existe o fator dedicação o que proporciona ao seu estilo uma evolução.

16- Você tem algum agradecimento a fazer ao xadrez?

– “Se enxerguei mais longe do que outros foi por que estava sobre os ombros de gigantes” Isaac Newton.

Comecei com essa frase do grande cientista Newton para dizer que se cheguei onde cheguei é porque grandes pessoas me deram oportunidade e incentivo para isso. Agradeço ao prof. Euclides sem o qual não teria aprendido a jogar xadrez e o qual criou um ambiente saudável e amigável no centro de cultura Ana das Carrancas para que inspirasse os jovens a se desenvolverem.
Agradeço ao senhor prof. Emidio e ao professor Agnaldo tanto pelas organizações de torneios sem os quais não nos daria objetivos para treinar, tendo em vista que sem torneios um treinamento seria sem motivos e por isso não existiria, também agradeço aos objetivos que indiretamente fui imposto, lembro até hoje um dia que estavam visitando o carranca o senhor e Agnaldo, sendo que durante uma partida entre ambos eu comentei com um de seus alunos “será que um dia chegarei a jogar como eles?’ e escutei a seguinte resposta “ jamais eles jogam a muito tempo, são muito bons” e com isso tive mais incentivo para querer evoluir para alcançar aqueles que sempre admirei,
Agradeço a Deus por sempre me dar forças e colocar um objetivo para está interessado em continuar jogando e principalmente a minha mãe a qual mesmo não sabendo nada sobre o xadrez “alias ela nem gosta de xadrez” ela sempre me apoiou para que eu tivesse condições de evoluir.
E agradeço ao xadrez em si, o qual desenvolveu muitas coisas em mim, para quem não sabe eu sempre tive problemas de concentração e com o xadrez hoje consigo me concentrar de tal forma que quando preciso parece que o mundo não existe, isso me ajuda muito em diversos momentos na vida.

17- Qual o conselho que você daria para quem está começando no xadrez?

– O xadrez não é somente um jogo, quando você permite o jogo entra em sua carne, ele vira parte de você, te proporcionando novos amigos, um ambiente o qual sempre se sentira bem, seja nos momentos difíceis ou nos momentos alegres, o mundo do xadrez não te exclui, você pode se voltar para ele seja na aula da escola com seus amigos de classe, seja em torneios, conhecendo novas pessoas, seja sozinho em casa com programas de computador ou jogando em sites, o xadrez sempre esta lá, quem pratica entra pra família, quando viajamos somos sempre bem recebidos por outros jogadores em qualquer lugar, então mergulhe sem medo.

E pra finalizar duas coisas que gosto de falar tanto para os iniciantes como para aqueles que já têm um tempo que pratica. Em um torneio de xadrez nem sempre quem mais ganha é o campeão, o grande vencedor é aquele que mais se diverte.

Quando você for jogar com um jogar mais forte não fique com medo, fique tranqüilo afinal todos esperam que você perca, ou seja se você perder será normal, mas se ganhar se transformara em um herói, ou seja nessa partida você não tem nada a perder e tudo a ganhar então não fiquei nervoso e quando for jogar com alguém mais fraco não fique preocupado afinal teoricamente você tem muito mais chances de ganhar.


Obrigado! Fábio Pires pela entrevista. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Entrevista com o Pernambucano MN Rafael Cabral

     Rafael Cabral (à esquerda) jogando o Aberto do Brasil 2015 em Petrolina-PE.   

Entrevista com o MN Rafael Cabral
Por : Emídio José Alves de Santana (Professor de Xadrez)

É o Atual BI-Campeão Pernambucano, feito conseguido  nas edições 2013 e 2014. O MN Rafael Cabral começou a praticar Xadrez aos 16 anos, portanto um pouco tardio para os padrões atuais, surgindo da base do Xadrez Escolar. Numa ascensão meteórica, foi considerado o terceiro melhor do Nordeste em 2010. Em 2014 foi campeão da categoria sub-2200 no Aberto de Florianópolis-SC e 37º melhor das Américas.
É uma das grandes revelações do xadrez no estado de Pernambuco, que vem buscando o seu espaço enfrentando novos desafios, como foi o Aberto do Brasil 2015 em Petrolina, conquistando o Vice-campeonato, e ganhando uma vaga para a semi final do Brasileiro Absoluto 2015.
          
1) Como e quando começou a praticar o xadrez?
- Aos 12 anos minha mãe havia me presenteado no dia das crianças com um jogo de xadrez miniatura. Naquela época eu não fazia ideia de como as peças se movimentavam, entretanto, ficava jogando dama com meus amigos na rua com o jogo de xadrez, até que depois nos mudamos do Cabo de Santo Agostinho para o Recife e por obra do destino havia uma garota na minha rua que sabia movimentar as peças e me ensinou..

2) Quais foram os seus maiores incentivadores?
- Carlos Capivara e Rogério Menezes

3) Diante da sua trajetória vitoriosa cite as suas principais conquistas.
- BI-Campeão Pernambucano Absoluto 2013/2014. 3º melhor do nordeste em 2010, campeão da categoria sub-2200 no aberto de Florianópolis e 37º melhor das Américas em 2014.

4) Qual o seu objetivo maior no xadrez?
- Conquistar o Mundo.

5) A intitulação de MF está próxima?
- Talvez.

6) Quando você concluir o curso de psicologia pretende continuar profissionalmente no xadrez?
- Sim! Estou muito bem no xadrez, bolando umas ideias legais e não pretendo nem tão cedo adotar outro caminho. Sobre o meu curso de psicologia ele está em segundo plano, caso dê tudo errado na minha carreira enxadrista.

 7) Quais foram as suas partidas com maiores graus de dificuldades no Aberto do Brasil de Petrolina?
- Contra o Yago, na 5ª rodada e tive dificuldades na segunda rodada não lembro bem o nome do meu adversário.

8) O que você achou das duas partidas que jogou contra os Petrolinenses Gilson Rosa e Fábio Pires?
- Contra o Gilson eu consegui elaborar um plano legal e contra o Fábio entrei em um final melhor, mas me enrolei.. . E não consegui aproveitar a pequena vantagem de espaço.

9) Quais são os seus ídolos no xadrez pernambucano, brasileiro e mundial?
- Yago Santiago, Alexandr Fier e Nakamura.

10) Qual o seu esporte preferido depois do xadrez logicamente?
- Curto muito andar de skate

11) Qual foi a sua melhor partida no “Esporte dos Reis”?
- A minha melhor partida foi contra o GM paraguaio José Cubas em Florianópolis no Floripa Open Chess!

12) O que é xadrez para você?
- Um enorme campo de possibilidades.

13) Você acredita no trabalho de base feito pelo Xadrez Escolar?
- Sim, acredito muito até porque o meu desenvolvimento veio da escola.

14) Você deixou uma grande impressão no Projeto CEMAM com as crianças, como ser humano. Seu carisma e humildade são marcas registradas da sua personalidade?
- A verdade é que adoro crianças, são muito puras e leais..

15) Defina o seu estilo de jogo em três palavras chaves?
- Agressivo, dinâmico e tático.

16) O que diria para as pessoas que acreditam no seu talento?
- Eu diria muito obrigado.

17) Tem algum conselho a passar para quem está começando no xadrez?
- Persistir sempre.. .

Obrigado! MN Rafael Cabral.

Boa sorte! Na sua carreira enxadrística.

sábado, 19 de setembro de 2015

ENTREVISTA COM O MI YAGO SANTIAGO

 MI Yago de Moura Santiago Campeão do Aberto do Brasil 2015 -Petrolina-PE.

Entrevista com o MI Yago de Moura Santiago
Por: Emídio José Alves de Santana (Professor de Xadrez)

Yago de Moura Santiago é natural de Recife Pernambuco onde reside com a sua família. Logo cedo despertou seu tino enxadrístico ao ver os passos do Pai, o jornalista Vandeck Santiago nos tabuleiros da vida.
É um enxadrista bastante respeitado no Xadrez Brasileiro e goza de grande prestígio no cenário Sul-americano. O mesmo quer conquistar a Europa com o intuito de chegar a Elite Mundial, e está buscando mais uma norma para ostentar a intitulação de Grande Mestre.
O MI Yago Santiago é uma referência do Xadrez Pernambucano, pois trata-se do maior enxadrista do Estado em todos os tempos.  
É sem sombra de dúvidas uma das maiores revelações do xadrez nacional na atualidade. 
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1) Mais um título conquistado em Petrolina. Diante da sua rotineira caminhada de vitórias, o que você achou do nível técnico do Aberto do Brasil 2015 em nossa cidade?
- Achei o nível técnico muito bom, é visível que é feito um bom trabalho de xadrez em Petrolina.
2) Começou a jogar xadrez com quantos anos? Quem lhe deu inspiração para gostar tanto da arte enxadrística?
- Aprendi aos 8 com meu pai, mas o primeiro torneio foi aos 10.
3) O que é Xadrez para o MI Yago Santiago?
- Meu mecanismo de entendimento da vida.
4) Como se prepara um MI para um campeonato de grande porte?
- A dedicação nesse momento tem que ser ainda maior, pois em torneios de grande porte basta uma preparação mal feita para sair mal no torneio.
5) O repertório de aberturas de um MI é muito vasto. Você tem algumas preferências especiais de brancas e de pretas?
- Não tantas, principalmente nos últimos torneios, acho que a única real preferência que sobrou foi a Francesa contra 1.e4
6) Como você definiria o seu estilo de jogo?
- Pra frente, bem pra frente! rs
7) Como você avalia os projetos de xadrez nas escolas em todo Brasil? E em Pernambuco? Foi no xadrez escolar a sua base? 
- Tenho que admitir que não sou conhecedor deste tema em Pernambuco, e no meu caso a escola também não teve influência, já que meu contato com o xadrez foi com meu pai.
8) Quais os seus títulos mais importantes? Qual foi a sua maior alegria no xadrez?
- Tetra Campeão do Nordeste, 5 Finais de Brasileiro e a Copa Mercosul na Argentina, um torneio onde havia 4 GMs e eu consegui sair como campeão e fazer minha primeira norma de GM. A maior alegria acredito que foi em 2014 na França, No grande Aberto de Cappelle la grand, onde consegui fazer 7/9, ganhando de 2 fortes GMs nas duas ultimas rodadas, e terminar empatado de 3° ao 8° no meio de mais de 200 jogadores e dezenas de GMs.
9) Defina com uma palavra, os seguintes enxadristas:
Tal: Ataque
Capablanca: Técnica
Bobby Fischer: Imparável
Kasparov: O Melhor
Carlsen: Gênio
WMI Florência Fernandez: Meu amor “Emotion smile”

10) Por falar em Florência. Quando começou esse romance que uma ponte chamada xadrez propiciou?
- Começou em 2012, quando jogamos pela mesma equipe pelos jogos abertos de SP.

11) A Campeã Argentina tem planos para chegar no Top mundial? 
- Isso você teria que perguntar para ela.. .rsrs

12) Você tem alguma preferência esportiva além do xadrez?
- Gosto de bastantes esportes, como Tennis,Futebol, MMA entre outros, mais com certeza apenas como espectador... rsrs

13) Tem algum agradecimento a fazer ao xadrez?
- A oportunidade de abrir tanto a mente

Obrigado Yago. Boa sorte!

Esperamos que você volte a atuar em Petrolina em outras oportunidades. 

* MI -MESTRE INTERNACIONAL

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Entrevista com o Professor Júlio Lapertosa



                 Eu e o Professor Júlio em Cuiabá -MT (Olimpíadas Escolares 2012)


ENTREVISTA CONCEDIDA PELO PROFESSOR JÚLIO LAPERTOSA


ENTREVISTADOR: EMÍDIO SANTANA – PROFESSOR DE XADREZ

EM PETROLINA –PE.

Conhecemos o professor Júlio Lapertosa em Cuiabá-MT, por ocasião das Olimpíadas Escolares 2012, quando atuou como técnico da campeoníssima equipe de Minas Gerais.
Foi uma satisfação imensa manter contato com esse Ícone do Xadrez Nacional, o qual revelou através dos seus gestos de gentileza no tratamento com as pessoas, ser de uma humildade extrema.
O professor que também é Psicólogo, vai ocupar o cargo de Vice Presidente de Projetos Educacionais na nova Diretoria da CBX.
O mesmo possui um vasto currículo de vitórias dentro do xadrez. Como jogador, detém o título de Campeão Brasileiro Amador, conquistado em 2003. Na condição de Árbitro Nacional dirigiu várias competições importantes. Como escritor, é autor dos livros, Combinações, Estratégia e ABC das Aberturas em parceira com GM Darcy Lima.
O conceituado professor é Instrutor da FIDE. É proprietário da Escola de treinamentos “Casa do Xadrez” em Belo Horizonte, onde produz e aperfeiçoa vários talentos para o mundo do xadrez, figurando entre eles, os novos Campeões das Olimpíadas Escolares 2012, o MF Artur Chiari e a WCM Fernanda Rodrigues.
Ele foi treinador do MI Roberto Molina, além de outros grandes nomes nacionais que passaram pelos seus mágicos ensinamentos.


1) Quando aprendeu a jogar xadrez?

Aprendi em 1974, e logo me apaixonei pelo jogo incentivado pelo Dr.Samuel Barros um médico amigo do meu pai. Sabia os movimentos das peças e regras, o básico que meu pai me ensinou, mas ele me mostrou a beleza do Xadrez analisando partidas dos Mestres antigos.

2) Na sua concepção o que é xadrez?

A medida que vou ficando mais experiente (isso é mais bonito que velho), vou mudando minha forma de ver o Xadrez. No princípio via como competição, depois como um desafio, e anos passando, concepções mudando, arte, ciência, cultura, hobbie, esporte, ferramenta pedagógica, ludoterapia. É difícil definir o jogo de Xadrez. Fico maravilhado quando pessoas viajam a outros países para jogar Xadrez. No meu primeiro Mundial da Juventude, em um hotel lotado na Turquia com umas 3.000 pessoas,entre jogadores técnicos, pais, parentes. Lembro olhando de cima o salão, maravilhado pensando... Que povo mais louco! É incrível o fascínio que o jogo nos infringe.  Enfim, todas as pessoas deviam se dar a oportunidade de aprender, pois não sabem o que estão perdendo. Minha visão hoje é holística. O Xadrez é tudo.

3) O que você acha do xadrez nas escolas? Cite três exemplos que justificam o xadrez no ambiente escolar.

Curioso falar que não acreditava que o Xadrez ajudasse alguém. Estava mais com Millor Fernandes, com sua célebre frase: O Xadrez é um jogo chinês que desenvolve a capacidade de jogar Xadrez. Mais uma vez o jogo me surpreendeu e fui descobrindo como é incrivelmente grande o mundo dentro do Xadrez. Então vou direto aos exemplos:
1.    Meu primeiro trabalho pedagógico com o Xadrez foi com crianças com dificuldade em matemática. Uma colega psicóloga havia tentado de tudo e me pediu para trabalhar com Xadrez e outros jogos de inteligência com crianças de 10 a 12 anos. No princípio não havia nenhuma mudança, mas depois de 1 ano aproximadamente, todos os alunos que participavam do projeto tiveram melhora acentuada nas notas. Ninguém virou um gênio, mas para quem não conseguia passar de ano, começar a passar sem sufoco fiquei surpreso. Isso foi o que me motivou pesquisar porque houve este avanço? Anos de pesquisa acabaram no meu livro Psicologia e Xadrez que é um ensaio sobre o assunto.
2.    O trabalho em Belo Horizonte com escolas públicas começou por escolas na zona de risco. Incrível a diferença social depois de implantado o Xadrez. As pessoas melhoram muito a auto-estima, já que jogando Xadrez são vinculadas como pessoas inteligentes. Este ganho de estima é refletido em todo o bairro com citações do tipo: Ahh você estuda na escola que tem Xadrez.
3.    Na era dos computadores, tudo vem muito pronto. O word escreve, o excel soma, a história está no you tube, o trabalho está no google. Ctrl-c,ctrl-v. As informações são assimiladas com muito mais rapidez. Acho as crianças hoje muito mais inteligentes que na década de 1960,1970. Só para usar o Xadrez como base, Bobby Fischer considerado um gênio, foi Grande Mestre com 15 anos e meio. Hoje há vários abaixo desta idade. Mas muitas crianças tem preguiça mental. No meu trabalho com crianças com dificuldades escolares percebo que qualquer atividade que obriga a criança a usar o raciocínio lógico, leva a um total desinteresse (preguiça). O Xadrez cobre esta lacuna já que o cálculo é condição essencial para jogar Xadrez. Portanto o Xadrez pode atuar como auxiliar no desenvolvimento cognitivo.

4) Numa pergunta que fizemos sobre a sua pessoa ao MI Roberto Molina em entrevista a esse Blog, o mesmo revelou que o considera como um PAI no xadrez e na vida. Você se considera um professor e técnico paternalista na relação com os seus alunos e atletas?

Sim. Trabalhamos com as pessoas desde uma idade muito jovem e os grandes Campeões são exemplos de vida. Pessoas que vencem com trapaça não tem chance no Xadrez. Então atuamos como exemplo para estes jovens. Muitos pais tem medo de perder o amor dos filhos ao colocar limites e deixam os jovens sem educação. Amar é mostrar o caminho correto, aceitar os erros e acertos e estar sempre pronto para apoiar. Sei que todos meus alunos me odiaram um dia, mas no final todos sempre reconhecem que estavam passando por um processo importante para seu crescimento pessoal e se tornaram uma pessoa mais forte, mais preparada. Fico muito feliz quando alguns alunos “difíceis” trazem seus filhos para minha escola. Vejo como um reconhecimento da sinceridade com que trabalho.

5) Fale de Luciane a sua amada. É verdade que o xadrez serviu de ponte para esse eterno enlace?

Muitos amigos dizem que precisam de um tempo para manter sua união feliz. Ter seus próprios momentos. Passo praticamente 24 horas por dia com a paixão da minha vida. Uma pessoa que me aceita como sou e dividimos nossa grande paixão: O jogo de Xadrez. Começamos a namorar jovens e passamos por momentos que nos fazem muito unidos hoje em dia. Momentos alegres e tristes, de aperto e de fartura, mas sempre com o jogo de Xadrez em nossa vida.

6) Quem em sua opinião foi o maior enxadrista de todos os tempos em Minas Gerais , no Brasil e no Mundo?

Em Minas temos o Eugênio German, o primeiro MI do Brasil e uma unanimidade no estado. No Brasil acho o Mequinho. Apesar dos mais jovens pensarem nos resultados da nova geração de GMs brasileira, temos que lembrar que a pergunta engloba “todos os tempos”. Mas gostaria de ressaltar a força dos nossos Gm´s que contribuem em muito para o crescimento do jogo em nosso Brasil. No mundo Bobby Fischer. Bater toda a escola soviética,Keres,Geller,Smyslov,Botvinnik,Petrosian,Spassky,Stein,Korchnoi,Tal entre outros foi um feito que nunca será igualado.

7) Quais foram as suas maiores conquistas como jogador e técnico?

Como jogador, ganhei um Brasileiro amador em 2003 e um Campeonato Mineiro Rápido em 2011. Como técnico as Olímpiadas Escolares 2012 em Cuiabá foi marcante devido a dobradinha ABS e FEM com Artur Chiari e Fernanda Rodrigues. Mas muitos Campeonatos a nível escolar ou de base, além de títulos de MF e o de MI do Roberto Molina. Fico feliz em ter contribuído de alguma forma. Mas o que mais me deixa orgulhoso é ver muitos dos que treinaram Xadrez comigo, terem encontrado seu caminho na vida. Serem pessoas felizes na vida conseguindo conquistar o que desejavam com o auxílio do Xadrez. Os que treinaram um tempo mais longo nunca tiveram dificuldade em concursos e vestibulares.

8) Conte-nos algum fato pitoresco na sua vida de xadrez.

Levei alguns alunos para jogar um evento no interior de São Paulo. Olhando o emparceiramento meus pupilos exclamavam. Nossa! Vou jogar com o Fulano de Tal campeão sub 14 de São Paulo. E os tranquilizava: O que tem isso? Xadrez é um jogo, vai lá e faz o seu melhor. O importante é jogar, se vencer melhor, mas se jogar com medo não conseguirá mostrar seu melhor. Eis que um dos pequenos pergunta: E você Professor, vai jogar com quem? Olho a lista: GM. Rafael Leitão. Ops, é mais fácil falar do que fazer!

9) Quando o xadrez será reconhecido como uma grande janela de marketing?

O Xadrez já é. O problema que não recebemos royalts com isso. Veja os vários comerciais que vinculam, bancos, carros e escolas com o jogo de Xadrez.

10) Você tem algum agradecimento a fazer ao xadrez?

Todo. O Xadrez fez minha vida ter um sentido.

11) Defina a pessoa do Professor Júlio Lapertosa em três palavras chaves.

Honestidade, felicidade e respeito.

Muito Obrigado! Professor Júlio Lapertosa e parabéns pelo feito em Cuiabá.


domingo, 7 de outubro de 2012

ENTREVISTA COM CARLOS CAPIVARA




ENTREVISTA CONCEDIDA POR CARLOS ALEXANDRE LIMA “CAPIVARA”
ENTREVISTADOR:
EMÍDIO JOSÉ ALVES DE SANTANA
PROFESSOR DE XADREZ REGISTRADO NO CREF
PÓS GRADUADO EM ESPORTE ESCOLAR – UNB
LICENCIATURA EM MATEMÁTICA E BIOLOGIA –FFPP
PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO SANFRANCISCANA DE XADREZ

Carlos Alexandre Lima ou simplesmente, Carlos Capivara! Sim senhor. Tem o título de árbitro nacional com arbitragens e organizações em muitas competições. Ele foi o coordenador da fase final das Olimpíadas Escolares 2012 em Pernambuco.
O apelido de Capivara, do qual se diz orgulhoso, contrasta com o seu vasto currículo de títulos em competições. É uma pessoa muita querida no Xadrez Pernambucano e possui um grande lastro de amizade na comunidade enxadrística do Brasil.
Fez parte da FPEX - Federação Pernambucana de Xadrez de 2000 a 2009. Entre os principais títulos destacamos: campeão pernambucano ativo (2002 e 2006), tetra campeão de jovens de Pernambuco  (até 26 anos), campeão do dia do trabalhador 2009 e 2010 na cidade de água preta,  1ª e 3ª Taça Vicente Pinzon em Suape e Gaibu, campeão do Torneio 1º Reino de Caíssa Relâmpago, em João Pessoa-pb no ano de 2009.
Hoje ele é assessor político na cidade de Água Preta –pe. ,e, apesar do seu tempo escasso, acha que está na hora de fazer o caminho de volta ao xadrez,  a pedido da saudade.

1-Por que você deu um “time out” no Xadrez Pernambucano?
- Percebi que, ou eu estava fazendo mal ao xadrez, ou estavam pensando assim. Descobri que realmente pensavam isso. Constatei que não fazia mal nenhum e resolvi voltar para continuar ajudando.
2-Em que pese os seus afazeres profissionais, existem algumas questões  pessoais no seu afastamento por completo do meio enxadrístico de Pernambuco?
- Tenho muitas ocupações no meu trabalho atrelado a muita responsabilidade, mas nada que me impeça a ajudar o xadrez. Apesar da distância da capital, sabemos bem que nunca foi um impedimento para mim, a distância entre os Pólos de xadrez, pois sempre me fiz presente. Existe sim, alguns pontos pessoais que me afastaram e me afastam da direção do xadrez no Estado. A falta de confiança e a traição por parte de alguns me fizeram distanciar.
 3-O que representa Marco Asfora para você?
- Um ponto de referência, pois hoje sou o que sou no xadrez por que ele me ajudou, encaminhou e me ensinou muito. Eu o considero um dos melhores jogadores do Nordeste em todos os tempos.
4-Como está o xadrez escolar em Água Preta e quando teremos grandes eventos por lá?
- Infelizmente o xadrez em Água Preta não está nem perto do que eu e o prefeito Eduardo Coutinho desejaríamos. Alguns fatores influenciaram para isso. Tivemos duas enchentes que devastou a cidade, causando muita destruição às pessoas. Apesar de termos algumas atividades e xadrez em todas as escolas (urbanas e rurais num total de 63), ainda não temos professores capacitados, mas se Deus permitir, com a esperança da eleição teremos um grande Pólo enxadrístico em nossa região com grandes eventos. 
5-Quando o xadrez será reconhecido como uma grande janela de marketing?
- Quando conseguir atrair para o meio enxadrístico, a mídia e público.
6-Como analisa  a gestão do Presidente Byron Veras à frente da FPEX?
- Tenho muita admiração por Byron. Ele é muito experiente em termos de Federação. Sempre vi que tínhamos uma sobrecarga nas costas do Presidente  ,e, creio que por esse motivo ainda temos uma visualização exata do trabalho que vem sendo feito.
 7-Quais foram as suas maiores conquistas no xadrez?
- Nestes 17 anos de arbitragem, tenho o titulo de arbitro nacional. Fui coordenador de Jogos Escolares e de Jogos Universitários. Muitos torneios ganhos me fazem ter boas lembranças de sucesso no xadrez, porém as maiores conquistas é conseguir firmar amigos em todos os lugares por onde passo.
8-Há rumores da criação de uma nova Federação para gerir o xadrez Pernambucano, em face do grande déficit da FPEX com a CBX, oriundas de administrações passadas. Você acha uma idéia plausível?
- Não acho uma boa idéia. Vai que a moda pega e todas as Federações criadas adquiram diversos débitos por maldade de seus dirigentes...  Fechando as mesmas e abrindo outras, não funciona.
9-Defina com as suas próprias palavras o que é xadrez?
- Xadrez é um alívio para os momentos de solidão.
10-Conte-nos algum fato pitoresco da sua vida enxadrística?
- Já vivi várias situações nesses anos de xadrez. Creio que as reuniões para eleição da Federação foram sempre marcantes, seja pelas confusões ou pelas escolhas erradas. (sem detalhes). A mais curiosa sem duvidas, foi quando iniciei... Cheguei na escola um certo dia próximo as férias, e, quando olho no mural vejo o anuncio  ”ensina-se a jogar xadrez”.   Encaminhei-me ao professor e perguntei como faria para participar, e ele me perguntou – Você  já joga? – eu respondi que não, e o mesmo me disse que só ensinava a quem sabia... kkkkkkkkkkkkkk Achei hilário isso.
 11-Fale da sua volta à Coordenação dos Jogos Escolares.  
- Após quase 2 anos, estou de volta a Coordenação dos jogos. Lembro-me que quando comecei há 17 anos, acompanhei muitos jogadores que hoje são adolescentes ou até mesmo professores. Esse foi um dos motivos que me fez voltar, além dos vários pedidos de professores para que isso acontecesse.
12-Como você viu o nível técnico apresentado pelos atletas nestes Escolares?
- Bom. Agora tem muito a melhorar para chegar jogando bem no Brasileiro.
13-Quem em sua opinião foi o maior enxadrista mundial de todos os tempos? E em nível de Brasil e Pernambuco?
- Mundialmente falando, eu creio que kasparov e Fischer foram os maiores pelos seus feitos, e um dia poderão ser ultrapassados, mas nunca superados.  No Brasil, pela historia Mequinho e pelos feitos Vescovi. Em Pernambuco, pela história Marco Asfora e pelos feitos Luis Tavares.
14-O que você achou da titulação de Mestre Internacional para Yago Santiago.  Você acha que ele será um Grande Mestre Internacional?
- Fiquei muito feliz pela titulação mais que merecida, até por que fiz parte desta história. Ele sempre teve o pensamento fixo nas titulações e pela sua dedicação chegará sim a Grande Mestre.
15- Como originou o apelido Capivara? Você se orgulha desse quase nome?
- Em 1998 joguei o meu primeiro torneio fora do mundo escolar. Os abertos de jogos de salão eram realizados no Shopping Recife e organizados pela FPEX, onde no ato das inscrições poderíamos colocar apelidos.
Então eu e um colega combinamos que colocaríamos Capivara 01 e Capivara 02. Sendo assim fiz a minha parte, fazendo a inscrição como Capivara 01, só que o malandro do meu amigo  não cumpriu o trato, ficando na listagem de inscritos somente o Capivara 01.
Fiquei em 7º lugar no torneio com aproximadamente 72 participantes, ganhando  a premiação de melhor iniciante.  Instaurou-se a gozação quando anunciaram a entrega do premio para Capivara 01.  No salão do shopping ouviu-se um uníssono kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
Passaram-se algumas semanas e fui pela primeira vez na Academia Pernambucana de Xadrez, onde aos sábados aconteciam torneios de xadrez relâmpago. Ao entrar no ambiente, Otavio Araujo, então Vice Presidente da FPEX, disse:  
- Olha o Capivara! Como é o seu nome?
Respondi: – Carlos e ele falou:– Então tá Carlos Capivara!
E assim foi... Me orgulho muito desse cognome, pois consegui elevar o nome Capivara para um nível nunca sonhado antes.
 
16-Você tem algum agradecimento a fazer ao xadrez?
- Gostaria de agradecer a todos que fizeram parte da minha história, em especial a algumas pessoas: Marco Asfora, pelo aprendizado e oportunidades ofertadas a mim. Ronaldo, amigo de rua que me ensinou a jogar. Antonio Bento, pelas ajudas e Luis Lima pelo maior conselho enxadrístico que já recebi.